segunda-feira, 3 de outubro de 2011

JAMAIS PODE O HOMEM SER INIMIGO DO HOMEM

Oh, irmãos meus! – Quanta luz ao espírito traz o obrar assim! Quanto o próprio engrandecimento da inteligência com isto ganha! De quanto o caminho para a perfeição assim se abrevia!
Já vos disse, amigos meus, que a nova vinda de Jesus pela razão de sua aliança com os homens cujos cérebros poderiam servi-lhe de meio e como instrumento de interpretação de suas ideias na linguagem terrestre, teria de resultar mais explícita em suas manifestações, mais clara e mais humana em sua forma, não pela mudança de Jesus, senão pela mudança dos homens mais dados agora à observação na matéria e aos trabalhos que relacionam o cérebro com o movimento da vida orgânica, que à contemplação da natureza e à elevação do espírito pelas ideias religiosas. Ao mesmo tempo muito mais adiantamento há no presente entre vós e muitas grandes cousas encontrais em grau de conseguir.
Sede portanto humildes de coração, sede mansos e ao mesmo tempo generosos com os que mal vos querem, devolvendo sempre bem por mal.
Jamais pode o homem ser inimigo do homem, é somente o atraso o que impele um contra o outro. Se esse atraso não houvesse, conhecimento teríeis, não de palavras mas de entendimentos e de sentimento, pois que, entre quem faz o bem e quem o recebe, maiores benefícios colhe o primeiro que o segundo. Mais que virtude, pois, conveniência é fazer o bem. Praticar o bem, semear é em proveito de quem o praticou. Quem mal faz, mal recebe, porque semente de má sementeira é jamais a semente do mau fruto deu o bem. – Oh, irmãos meus! Quão feliz me sentiria se tão-somente compreendido me visse!... As palavras compreendeis, mas não penetra sua essência nas profundidades de vossas almas.
Crede, pois, que: A personalidade é a alma e que o corpo só a alma aparências dá, e ao que chamais forma entre a matéria, sem ser realidade absoluta, também lhe dá.
A obra que a humanidade há de levar avante é uma... a obra de seu progresso, isto é: a obra da Torre de Babel; mas em lugar da harmonia dos operários manifesta-se a conhecida confusão e torna-se forçoso abandonar a obra; porém Deus, obrando como tal e não como a Bíblia falsamente vos transmite, manda-lhes um Messias que os ponha em inteligência uns com os outros; a todos, com o fim de que levem a cabo sua torre, a obra do humano progresso, na verdade e no bem.
Do livro: VIDA DE JESUS DITADA POR ELE MESMO – Páginas 352 a 356

MEUS APÓSTOLOS ERAM POBRES DE INSTRUÇÃO, RICOS EM FÉ E POBRES DE SABEDORIA

Tem-se dito que o cumprimento das profecias só o é em aparência; pela convenção que se fez dos fatos com elas. Assim também tem-se dito que somente a credulidade em Jesus concebeu o cumprimento das profecias e o acontecido com Jesus.
Mas eu digo-vos que tudo quanto há de acontecer, designado com antecipação se descobre no ambiente espiritual, podendo, portanto discerni-lo todo o espírito de alguma penetração, ainda que não seja espírito do Senhor, senão espírito das trevas.
Não é, portanto a profecia o que chamar se possa um milagre, o qual não existe, senão a previsão do que há de acontecer, porquanto designada está já muito antes sua época para todo o acontecimento.
Em minhas visões muitas cousas chegaram certamente ao meu conhecimento que somente havia de ter lugar no porvir. Assim também acompanhava-me especial dom para o conhecimento dos homens, o qual me serviu para escolha de meus apóstolos, entre os quais, se certo é que um traidor houve, mais foi ele vítima de circunstâncias, que não soube vencer, que de natural disposição à falsidade e à maldade.
Assim, bem foram escolhidos os que em minha obra santa me deviam acompanhar. Eles foram propriamente os eleitos porquanto, como já vos disse, uma só família com Jesus formaram.
Os habitantes de Nazareth, que, por conhecerem meus pais e meus irmãos, escarneciam de minha filiação divina, alcunhavam-me o Filho do Homem, sendo nisso acompanhados por meus próprios irmãos, que em certa ocasião chegaram até a intentar fazer-me passar por louco com o auxilio também de minha própria mãe. Certamente na primitiva incredulidade de Maria muito havia do amor materno que queria ocultar a perigosa realidade a seus próprios olhos e desviar-me da rota em que me via colocado. Mas quando a luz, que do alto para os mortais baixa, principalmente veio iluminá-la, ela com sublime resignação aceitou tudo o que o amor de mãe lhe fazia descobrir como perigos e sofrimentos que por seu filho adorado devia passar.
Por fim, de meus irmãos partiu ainda a ideia de fazerem-me passar por louco, mas não já com o propósito do escárnio, mas com o afetuoso desejo de minha salvação, e com tal objetivo desesperados esforços fizeram em meu favor, prejudicando talvez, ainda que involuntariamente, a missão de Jesus.
Apesar de muito me ajudarem meus apóstolos no ensinamento e divulgação do que lhes encomendara, sua obra era deficiente porquanto, como já vos disse, longe se encontravam da elevação da alma e da inteligência precisa e mais longe ainda encontrava-se seu auditório. A vontade, porém, jamais eles a tiveram de menos, o que principalmente demonstram ainda depois de minha morte. Mas a obra da redenção humana a eles não foi encomendada e sim ao Messias, que à sua frente há de encontrar-se ainda durante muitos séculos. Com muitos defeitos, portanto, transmitida vos foi a palavra de Jesus. Mal compreendida, malconservada, pois que de simples memória foi durante muito tempo e mal transmitida, somente suas cinzas até vós chegaram.
Meus apóstolos, tão pobres de instrução como ricos de fé, muito fizeram certamente na sementeira que lhes encarregara em nome do Pai, mas não podiam oferecer de si o que não tinham, isto é, a sabedoria, que acrescentada a fé e aos sentimentos de amor que o Filho de Deus lhes inspirava com sua palavra e com seu exemplo, muita grandeza teriam dado à predicação das doutrinas que reveladas eram à Humanidade por sua mediação.
Do livro: VIDA DE JESUS DITADA POR ELE MESMO – Páginas 349 a 352

domingo, 2 de outubro de 2011

OS APÓSTOLOS

Muitos começavam a ser já os que se intitulavam discípulos do NAZARENO e depois nazarenos se chamou aos partidários de suas doutrinas. Mas diferente cousa eram os que apóstolos se chamaram mais tarde, sendo destes, como já vos disse, Cefas e Simão, os dois primeiros; Tiago e João seguiram a estes, os quais em pescar ocupavam-se também, sendo pescador com eles seu pai Zebedeu, de quem a mulher tão cheia era de dons espirituais, que teve a visão clara em seu coração do que tinha vindo restabelecer o Filho de Deus sobre a Terra.
Os apóstolos, escolhidos dentre os discípulos mais dispostos a abraçar a nova causa, vinham formar ao redor de Jesus uma nova família humana, em que os laços efêmeros da carne substituídos se viam pelos mais sólidos e duradouros da fé e do amor. É por isso que dito foi (na ocasião em que mãe e irmãos de Jesus foram procura-lo entre os que o escutavam), “que a mãe, os irmãos, a família de Jesus eram aqueles que sua palavra ouviam e seguiam”. Assim, queria dizer que as relações e os elos da fé e da verdade, que de Deus vêm e do amor verdadeiro que é no Universo o mais puro, resultam muito superiores às uniões tão-somente filhas da carne.
Longe vos encontrais ainda, vós mesmos, de compreender todo o alcance destas palavras; porém, deveríeis ao menos compreender que nos laços de natureza espiritual, vos elevais como espíritos acima da matéria, enquanto que nos laços de outro modo materiais (quando a carne só forma a família), ficais deprimidos como espíritos que vêm constituir a família sob a influência das atrações do organismo, e sob o mesmo regime de dependências que distinguimos nos animais.
Assim também em seu tempo volto agora para restabelecer as cousas tal como elas foram ditas, as ditas; negar as não ditas; explicar as mal compreendidas e recordar as esquecidas.
Como dito está, Cefas, Simão, Tiago e João primeiros foram, dentre os que minhas palavras escutaram, em receber o nome de apóstolos, passando a participar das intimidades da vida de Jesus, formando com ele uma verdadeira família. Pouco a pouco aumentando foi a família com novos apóstolos até chegar ao número de doze que eram, como sabeis, além dos referidos, Mateus, Tomé, Tadeu, Judas, Bartolomeu, Felipe, Alfeu e Simão da Cananéia.
Do livro: VIDA DE JESUS DITADA POR ELE MESMO – Páginas 344 a 348

CAFARNAUM

A partir da minha estada em Cafarnaum, a semente de minha predicação parecia haver chegado ao ponto da sementeira, pois o povo acudia cada vez mais pressuroso a ouvir minhas palavras e mais disposto parecia também para aceitação, na prática, dos ensinamentos que iam assim recebendo.
Cafarnaum, terra querida, albergue de meus melhores momentos, desde que abandonado havia as terras dos pagãos. Muitas vezes a ideia e o afeto voaram para ti em meus momentos de angústia!... Quando, entrando eu no desfiladeiro inexorável que não tinha outra saída para mim senão a do calvário e da cruz, a lembrança de tuas noites agradáveis, rodeado pelo mistério dessas horas silenciosas e pelo ambiente de terna veneração com que me distinguiam os simples pescadores de tuas margens, enchia minha alma de doce melancolia, fazendo-me exclamar ao mesmo tempo: - Há também amor, há sentimentos ternos e benévolos nesta mísera morada terrestre e eles farão que não se torne estéril o sacrifício de minha tranquilidade e de minha vida! – Quando o pensamento dulcíssimo da amorosa contemplação desse passado, tão próximo ainda, levantada diante de meus olhos a apinhada multidão de pequenos semblantes sorridentes e olhares angélicos, de mães carinhosas simbolizando a própria ternura, tímidas jovenzinhas e galhardos e famosos mancebos, pais de olhar indulgente e veneráveis anciãos, formando uma grinalda brilhante e viva, pendente toda ela da palavra ungida do Filho de Deus, e mais do que nunca nesses momentos o era, então parecia por um momento querer meu espírito fechar os olhos ao brilho da luz que me apontava o caminho da redenção passando pela ponte do martírio, porém, ao mesmo tempo surgia todo o vigor desse brilhante princípio para amparar-me e estimular-me para o êxito no porvir. Todo esse amor, todo esse sentimento e as aspirações vagas, porém unânimes, a um mundo melhor, que fixas em seus olhares me haviam demonstrado a porção mais sincera desse povo, eram para mim a prova evidente do caminho que devia seguir.
Filhos meus queridos, compreendei, pois de uma vez, que o amor a única base há de ser que sobre si comporte o peso do inteiro porvir vosso. As obras inspiradas assim, sobre o amor de nosso próximo, devem levar consigo o suave aroma do sentimento que lhes deu vida.
Do livro: VIDA DE JESUS DITADA POR ELE MESMO – Páginas 342 a 344

sábado, 1 de outubro de 2011

AMA A DEUS COBRE TODAS AS COISAS

Cafarnaum, da tribo de Nephtali, sobre a costa do mar de Tiberíades, ou também Genezareth, onde me foi dado encontrar meus primeiros discípulos no Senhor, foi também a pedra primeira do edifício de meus trabalhos na fé daquele que me enviou.
No tempo de minha educação em Jerusalém também no que se refere ao alívio dos males do corpo, havia-me ocupado, porque as ciências, então ainda em sua infância, todas estavam reunidas, e assim também dos ensinamentos da Cabala, muito tinha aprendido para tudo o que havia de ser em benefício do povo; tudo o que tinha contribuído para o prestígio da fé como que me iam envolvendo. Essa fé pôde bem fazer milagres, porquanto já dito está que a fé transporta montanhas, mas se certamente algumas curas inesperadas, porque julgavam-se enfermos incuráveis, cercaram o Filho de Deus da admiração e quase até da adoração de alguns excessivamente entusiastas, não menos certamente vos asseguro que tais cousas não foram filhas de uma virtude especial do Messias, que o tornasse superior aos demais homens neste caso, mas sim quanto a atmosfera benéfica que seu derredor espalha todo espírito puro e desejoso do bem de seus semelhantes. Isto é justamente o que aproveitado foi por meu discípulo predileto para erigir ao Filho de Deus o culto que só a Deus mesmo é devido.
Irmãos meus, filhos meus, amigos meus, pelo grande amor que vos professo e pela ternura dos sentimentos que me inspira a desgraçada situação vossa, peço-vos que isto compreendais de uma vez para sempre:
“Que um só é o Deus criador do Universo e a fonte de todo o poder, de toda a grandeza, de todo o saber, de todo o amor e de toda justiça. Só a Ele, portanto toda adoração deve ser consagrada. Só Dele todo bem havemos de esperar. Só Nele a pureza de vossa fé há de descansar. Tão-só para Seu excelso trono nossas orações devem se elevar e de suas mãos tão-somente hão de baixar sobre a Terra todos os dons que hão de elevar até o céu todos os filhos”.
Crede, pois, na palavra desse Deus único, que pela boca de seu filho voz diz:
“Tende fé no porvir da alma, porquanto para todos os homens, ela há de chegar até à cúspide da montanha, cuja encosta destinados estais a subir penosamente.”
“Desprendei-vos de vossas paixões, colocai-vos acima de vossos desejos imoderados e contrários aos interesses de vossa alma, que é o único de que deveis cuidar. Mova-vos em vossos atos mais o amor por vossos semelhantes que o interesse por vossas pessoas. Tende como bem certo que quanto por vosso próximo fizerdes, centuplicado vos será devolvido por meu Pai que estás nos céus.”
“A alma sopro é que de Deus vem e o que de Deus vem, eterno é como a mesma essência de que saiu. Por isso assim foi dito, e bem o foi: Ama a Deus sobre todas as cousas e ao teu próximo como a ti mesmo, estes são os profetas e os mandamentos”.
Com estas palavras de amor, amorosamente me despeço hoje de vós.
Do livro: VIDA DE JESUS DITADA POR ELE MESMO – Páginas 339 a 342