segunda-feira, 17 de junho de 2013

O CENTRO ESPÍRITA

Um grupo de pessoas que decida operar no contexto humanitário e cultural poderá constituir-se como uma entidade sem finalidades lucrativas, anexando-se, eventualmente, a uma federação que se alinhe aos seus princípios. Mas por que esta deveria ser um centro espírita? Porque o espiritismo, hoje, é manobrado num contexto expansionista, seguindo os interesses das federações, de pessoas ambiciosas e políticas, muito mais que da pureza e evolução da sua doutrina, pois o espiritismo está criando fanáticos, muito mais do que adeptos conscientes de ser participantes de uma doutrina clara e projetada para o progresso espiritual e que deveria atuar num único contexto, que é aquele de iluminar as massas nas luzes do verdadeiro e puro cristianismo.
Por isso, pela ambição fanática de alguém deste grupo, particularmente atraído mais pela paixão que pelo entendimento da verdadeira mensagem messiânica, será formado o centro que progredirá principalmente porque os seus adeptos começarão a praticar esta política de uns influenciarem os outros, e porque, não discordando do catolicismo, se manterá aí a mesma métrica do dogma, as mesmas orações, os hábitos fanáticos das filosofias religiosas, visitando igrejas, santuários, relicários, observando as mesmas recorrências da igreja, tanto quanto aquelas dos terreiros, da Páscoa, do Natal, do domingo, da sexta-feira santa, etc.
Nesta misturada toda, aí se praticará ainda o espiritismo misturado da umbanda no kardecismo, e onde alguns serão dirigentes e condutores espirituais, onde se aceitará o animismo como fenômeno mediúnico, e a apometria, para permitir que se verifique ainda maiores confusões idealistas.
Muitos não se preocupam em saber, mas ser espírita é simples transição de um ponto de imobilismo para a evolução num conceito maior da religião Universal, que se fundamenta na justiça de Deus e não levanta templos para uma fração de homens, nem tem cultos forçados externos. Que, porém, dá a paz depois da oração, porque a oração está despida de todas as superstições que acompanham as religiões humanas. A definição exata deste lugar deveria ser "Centro de Luz", onde se dá a definição exata do homem como ser e, para salvá-lo do desespero, inicia-o na glória de Deus, nos Seus atributos de grandeza e poder, e se diferencia das religiões humanas que O definem com as fraquezas inerentes à humanidade.
Mas esta luz não virá da federação onde este esteja anexado, virá do nível espiritual consequente à elevação dos pensamentos e o desejo de perfeição, da doutrinação exata, pois esta é a casa das inteligências que tenham alcançado a clareza da religião Universal Cristã, que tem a sua base na alma e no espírito como um santuário, e a alegria da segurança do provado.
Portanto muitas pessoas que irão até lá, e que serão chamadas de trabalhadores, não se darão conta, mas a maioria dos problemas que irão ter, provirá simplesmente da prática deste seu tipo de espiritismo, pois a razão de ser e de existir de um verdadeiro centro espírita é a geração de conceitos e estudos espirituais, e seu alvará vem da espiritualidade, pois de outra forma, o nível espiritual das entidades que ali entrarão será o mesmo daquele das pessoas que ali operarão.
É claro que é fácil contar os centros que têm este tipo de autorização para funcionar, pois é suficiente examinar as suas obras espirituais, onde se atende a penetração dos mistérios da vida e da morte, onde cabe evidenciar o princípio Criador e interpretar as leis do oculto, cósmicas. Onde se explica e se estuda a validade das doutrinas e se reduz a pó os falsos ídolos, as falsas crenças, os condicionamentos mentais, doa a quem doer, e onde, nesta luz dos conhecimentos, edifica-se o templo do Criador, ao qual não poderá faltar a segurança total, porque é aí que se difunde o conhecimento, na visão provada corretiva e provável, da visão desta época onde já devem ser descontados os contextos técnicos e intelectuais do homem. Claro que ali não haverá médiuns obsediados, porque esta mediunidade será curada e não precisarão de falsos sufrágios, condicionamentos ou ilusões, para serem realizações de uma espiritualidade bem superior a estas fraquezas humanas.
O atraso desta humanidade ainda é muito grande e, por isto, muitos vão atrás de tudo o que é modismo por aí e nisso se auto-condicionam. Mas o espiritismo não é modismo, é uma consequência da vida, mas por si mesmo é cármico, e quem vai atrás disso se perde. Quem enfrenta porém, ainda raras vezes vê-se reconhecido, e quase sempre luta sozinho quando quer levantar os dominados das ordens inferiores ao nível da Criação e da ordem Universal.
Do livro “O EVANGELHO SEGUNDO A LITÁURICA”

domingo, 16 de junho de 2013

ETs CONTROLAM ARSENAL DOS E.U.A.

Notícia Portal Terra de 16/06/13

Reformado pela Força Aérea dos EUA, o capitão participa, neste final de semana, do I Fórum Mundial de Contatados, realizado em Florianópolis. Ele cita um polêmico caso ocorrido ainda na década de 60 e transformado em inúmeros livros e documentários. E mantém a tese de que os EUA e o Reino Unido não só mantêm arquivos secretos, como alega que arsenais nucleares seriam “vigiados e até mesmo desarmados” por grupos de  alienígenas.

O caso teria ocorrido em 16 de março de 1967 na base de Malmstrom, em Montana, mas ganhou grande repercussão em 2010. O oficial garante que oficiais teriam visto grandes luzes, identificados óvnis e que, logo após, cerca de dez mísseis estariam desarmados e com parte das ogivas danificadas. “Eu estava de serviço juntamente como o comandante Fred Wymald e fomos informados de intensas atividades. Um dos guardas disse ter visto luzes estranhas ao redor do local da instalação das ogivas”, disse. “Não eram aviões, já que não estavam fazendo nenhum barulho e não eram helicópteros. O guarda disse que os objetos estavam fazendo algumas manobras muito estranhas e ele não podia explicar”.

Meia hora depois, segundo Salas, outro relato:  "O mesmo guarda, muito abalado, diz que havia um objeto vermelho brilhante pairando diante do portão da frente e que os militares já estariam de armas em punho”.

Após o fenômeno, Salas recorda que muitos dos mísseis armazenados no arsenal começaram a apresentar problemas. “Quando cheguei ao local, percebemos que os mísseis estavam tortos, completamente tortos”, disse. “Uma investigação foi feita sobre o assunto, mas nada se aproximou da causa do fenômeno”.

Em meio as palestras, Robert Salas concedia autógrafos em livros e esbanjava simpatia ao falar sobre os fenômenos ufológicos. Ele conta que relatou o ocorrido aos superiores, mas que o caso nunca foi adiante. “Tivemos que assinar um acordo de não divulgação dizendo que esta informação era confidencial”, conta. “Não estávamos a liberar isso para ninguém, nem mesmo para nossa família”.

Personagem carimbado em séries e documentários de TV sobre óvnis, Salas se transformou em uma das grandes atrações do evento brasileiro. Mas, mesmo passado tantos anos, ainda se recusa a falar se a presença dos ETs teria como principal objetivo fazer com que a humanidade abandone as armas nucleares. Com um sorriso no rosto, o ex-oficial se limita a afirmar. “Eles estiveram e sempre estarão por aqui”.


domingo, 9 de junho de 2013

CRONOLOGIA DA ICONOCLASTIA

723 - Por volta desse ano, com os sermões de Serantapico de Laodicéia, ganha espaço entre os árabes uma doutrina que condena a adoração às imagens sagradas: em breve, a iconoclastia irá se propagar até Constantinopla.

726 - O imperador Leão III se pronuncia contrariamente à adoração às imagens e manda retirar a imagem de Cristo de cima da porta de bronze do palácio imperial. A ordem dá ensejo a um protesto popular duramente reprimido. Em Roma, o papa Gregório II condena o edito de Leão III e convida os fiéis da Igreja de Roma a não segui-lo.

727 - Aproveitando as divergências que opõem Gregório III e o imperador Leão III, e as rebeliões populares que eclodem em várias cidades bizantinas, o rei lombardo Liutprando ocupa Sutri e Ravena, levando o exarco (o governador) Escolástico a fugir. Sutri, depois, é cedida ao papa. Essa doação é por muitos considerada a certidão de nascimento do Estado Pontifício. Em Roma, exércitos fiéis a Bizâncio tentam matar Gregório II, mas são derrotados pelo povo romano; o exarco Paulo tenta capturar o papa, mas sua tentativa fracassa com a oposição das milícias romanas.

728 - O exarco Paulo se dirige a Roma, mas é derrotado e morto pelos anti-iconoclastas. No mesmo ano, Roma se rebela contra o novo exarco Eutíquio, nomeado pelo imperador Leão III, separando-se definitivamente de Bizâncio. Os bizantinos, no entanto, conseguem reconquistar Ravena e tentam ocupar Bolonha, mas são derrotados pelos lombardos. Liutprando, rei dos lombardos, por sua vez, como defensor da fé ortodoxa e do papado, toma dos bizantinos a cidade de Classe e vários territórios na Emília.

729 - Acordo entre o exarco Eutíquio e o rei lombardo Liutprando. Eutíquio ajuda Liutprando a sujeitar os duques de Spoleto e Benevento, que, até então, gozavam de uma quase completa autonomia, em troca de auxílio para reconquistar Roma. Os dois exércitos, então, dirigiram-se a Roma, mas antes do ataque decisivo o papa Gregório II conseguiu convencer Liutprando a desistir da empreitada.

730 - Após o fracasso das tentativas com o clero contrário à iconoclastia, o imperador bizantino Leão III publica um edito em que ordena a destruição de todas as imagens cultuadas, depondo o patriarca Germano, que se recusa a aprová-lo. Para boicotar a igreja itálica anti-iconoclasta, ele submete a Sicília e a Calábria à jurisdição do patriarcado de Constantinopla.

731 - O papa Gregório II se recusa a reconhecer Germano, o sucessor iconoclasta do patriarca de Constantinopla, mas pouco tempo depois falece. Sucedido por Gregório III, que de pronto condena a doutrina iconoclasta; mas os mensageiros encarregados de levar a decisão a Constantinopla são presos pelo comandante Sérgio na Sicília.

742 - O novo imperador Constantino V, em meio à campanha contra os árabes, é atacado e derrotado por seu cunhado Artavasde, que se proclama imperador, apresentando-se como o campeão da "adoração às imagens", e é coroado em Constantinopla. Enquanto o culto às imagens é restaurado na cidade, Constantino V foge e obtém o apoio incondicional de anatólicos e trácios.

743 - Constantino V retoma o poder pelas armas, manda cegar Artavasde e seus dois filhos, e se vinga de seus seguidores.

753 - O rei dos lombardos, Astolfo, impõe um tributo pessoal aos romanos, a título de protetorado. Sua recusa a suspender a aplicação do tributo leva o papa a solicitar o auxílio de Constantinopla para defender Roma, mas o imperador Constantino V se recusa a intervir. Com a ruptura da paz, os lombardos dirigem-se a Roma vindos de várias direções, para bloquear todas as vias de acesso à cidade. Diante do perigo lombardo, o papa envia um peregrino ao rei dos francos, Pepino, pedindo sua ajuda. Mas o rei Pepino não intervém, o papa deixa a Itália e, nos primeiros dias do ano seguinte, junta-se ao rei dos francos em Vetry.

754 - No palácio imperial de Hieria, na costa adriática do Bósforo, reúne-se um concilio de bispos favoráveis à iconoclastia ("sínodo acéfalo"), que condena a adoração das imagens. Após a assembléia, em toda parte as imagens sagradas são destruídas e substituídas por pinturas de temas profanos. Os dissidentes são perseguidos sem trégua.

756 - Astolfo mais uma vez cerca Roma. O papa manda outros embaixadores a Pepino, para pedir ajuda. Os francos descem até a península, derrotam o exército lombardo e impõem a Astolfo um novo tratado. O rei lombardo entrega o papa a Pentápolis e Comacchio e aceita pagar um tributo ao rei dos francos. Pepino dá ao pontífice os territórios, que se tornam oficialmente "patrimônio de São Pedro", recusando-se a aceitar o pedido dos embaixadores bizantinos que requeriam a restituição do exarcado de Ravena.

760 - Trezentos navios bizantinos chegam à Sicília para atacar a Península Itálica, enquanto a diplomacia de Constantinopla trabalha fervorosamente para isolar o papa.

767 - Em Constantinopla, a oposição à iconoclastia se reúne em torno do abade Estêvão de Auxentios, que, no entanto, é assassinado pelo povo, encorajado pelo imperador.

768 - Sérgio, filho de Cristóvão, no comando dos lombardos, monta acampamento na colina de Gianicolo. O papa Constantino é preso, e, para ocupar seu posto, é eleito o padre Felipe. Mas Cristóvão intervém e faz o povo romano expulsar Felipe, levando a uma nova eleição regular, na qual é escolhido Estêvão III. A eleição é acompanhada por novas desordens e uma série de vinganças.

775 - O imperador oriental Constantino V morre durante uma expedição contra os búlgaros. É sucedido pelo filho Leão IV, mais moderado e fortemente influenciado pela mulher, Irene, adepta do culto às imagens.

780 - A morte prematura de Leão IV leva ao trono seu filho, Constantino VI, de apenas 10 anos. A mãe, Irene assume a regência e se opõe vitoriosamente a uma tentativa de usurpação por parte dos tios paternos de Constantino, obrigando-os a se tornarem padres.

784 - Na igreja dos Santos Apóstolos em Constantinopla é aberto um concilio para restaurar a adoração às imagens, mas a intervenção dos soldados da guarda, em um primeiro momento, provoca a dispersão da assembléia. A imperatriz Irene afasta as tropas iconoclastas da capital com o pretexto de uma campanha contra os árabes e chama para Constantinopla tropas trácias, fiéis ao culto às imagens.

786 - Inicia-se, na igreja dos Santos Apóstolos, em Constantinopla, um concilio para retomar a adoração às imagens, mas a intervenção dos soldados da guarda, em um primeiro momento, dissolve a assembléia. A imperatriz Irene então afasta as tropas iconoclastas da capital, com o pretexto de uma campanha contra os árabes, e convoca tropas trácias, fiéis ao culto às imagens, para ocupar Constantinopla.

787 - Finalmente é realizado em Nicéia um concilio convocado pela imperatriz bizantina Irene, que retoma definitivamente — não sem oposição — o culto às imagens.
790 - Eclode, em Constantinopla, uma grande divergência entre o imperador Constantino VI e sua mãe, Irene, que gera uma rebelião de iconoclastas contra a imperatriz, que, no entanto, consegue sufocá-la. Irene, então, tenta legalizar o próprio poder absoluto, apoiada pelas tropas da capital, mas a decisiva intervenção do exército da Ásia Menor proclama Constantino IV o único monarca.

797 - O imperador bizantino Constantino VI, que nesse meio-tempo ganhou o apoio dos ortodoxos e dos iconoclastas, morre após ter sido cegado por ordem de sua mãe, Irene, que se torna a única governante do Império. Irene é a primeira imperadora de Bizâncio e, para conservar a simpatia da população, concede isenções fiscais, em especial aos mosteiros, levando o sistema financeiro do Estado ao caos.

802 - Para resolver o problema da coroação do imperador Carlos por parte de Bizâncio, são enviados a Constantinopla embaixadores do papa e do imperador do Ocidente, com a missão de pedir a mão da imperadora do Oriente, Irene, de forma a unificar os dois territórios. Contudo, pouco tempo depois da chegada dos embaixadores, uma revolta palaciana depõe Irene, que é deportada para Prinkipos e, posteriormente, para Lesbos, onde morre.

815 - Depois da Páscoa, tem inicio em Constantinopla um sínodo que anula o Segundo Concilio de Nicéia e volta à iconoclastia, retomando as perseguições contra os fiéis ao culto das imagens.

820 - O imperador de Bizâncio, Leão, o Armênio, é morto por seguidores de um antigo companheiro seu de armas, Miguel, o Armoriano, que ascende ao trono sob o nome de Miguel II. Durante seu reinado, as divergências religiosas têm um momento de trégua, já que ele proíbe qualquer discussão a respeito do culto às imagens.

829 - Sobe ao trono de Bizâncio o filho de Miguel II, Teófilo, último expoente da iconoclastia. Em seu reinado, a arte bizantina floresce notavelmente.

837 - João, o Gramático, tutor do imperador Teófilo e chefe dos iconoclastas, torna-se patriarca de Constantinopla e dá início a uma severa perseguição aos adoradores de imagens.

842 - Morre o imperador de Bizâncio, Teófilo, e a iconoclastia, já pouco popular, rui definitivamente.

843 - O patriarca João, o Gramático, é deposto em Constantinopla. Metódio é eleito para assumir seu lugar, e um sínodo realizado em março proclama solenemente a restauração do culto às imagens.

Texto extraído do livro: O livro negro do cristianismo - Dois mil anos de crimes em nome de Deus - Jacopo Fo, Sérgio Tomat, Laura Malucelli

quarta-feira, 5 de junho de 2013

OS EXÉRCITOS CRISTÃOS

E, como se não bastasse, foram os papas que ordenaram as Cruzadas e, posteriormente, a colonização das "terras novas" e os massacres que se sucederam.

Mas vejamos em ordem. Primeiro, foram as tentativas de invadir a Palestina, o Líbano e a Síria, com o pretexto de libertar o Santo Sepulcro. Em Storici arabi alle crociate, Gabrieli reúne os testemunhos de vários cronistas medievais no Oriente Médio. Por meio dessas declarações, pudemos saber que, até depois da metade do século XII, ou seja, antes do começo das invasões dos franco-cruzados, milhares de cristãos visitavam livremente a Palestina e todos os lugares onde Jesus Cristo vivera e pregara. As Cruzadas foram um projeto criminoso em todos os aspectos, e, mal nos questionamos sobre a sucessão de fatos que levaram à Terra Santa turbas desenfreadas aos gritos de "Assim quer Deus!", finalmente vemos aflorar a real motivação da campanha que levou São Francisco a tal indignação a ponto de exclamar: "Vim converter os infiéis e descobri que os que precisam de fé e noção de piedade não são os guerreiros muçulmanos, mas os soldados de Cristo e, antes de mais nada, os bispos que os conduzem!". Além do mais, os "exércitos de Deus" talvez tenham matado mais cristãos do que infiéis. Os exércitos cristãos que se dirigiam à Palestina tinham um longo caminho a percorrer, sem provisões ou acampamentos organizados. Portanto, tinham como costume obter o que precisavam saqueando as cidades cristãs pelas quais passavam durante a viagem. Por exemplo, a famosa "Cruzada dos Mendigos", em 1096, que causou o massacre de quatro mil pessoas apenas na cidade húngara de Zemun.

No mesmo ano, o contingente guiado pelo nobre alemão Gottschalck trucidou mais de dez mil pessoas culpadas de terem-se deixado dominar pelos saques. Alguns homens partiram para as Cruzadas seguindo os passos de um pato! Estes devotos acabaram se unindo a uma Cruzada guiada por um ilustre salteador chamado Emich, que nunca chegou à Terra Santa, limitando-se a um tour durante o qual massacrou milhares de judeus, espoliando-os de seus bens.

Mas outros cruzados, que participaram de expedições seguintes, também decidiram se preparar para a guerra contra os infiéis muçulmanos começando a massacrar infiéis judeus desarmados. Em 1212, trinta mil meninos da Europa Central partiram para as Cruzadas sozinhos e sem armas. A maior parte desse "exército" embarcou em Marselha acreditando partir para libertar o Santo Sepulcro. Em vez disso, os garotos (pelo menos os que sobreviveram aos contratempos da viagem) foram vendidos aos turcos como escravos.

A Quarta Cruzada, realizada em 1202, operou uma pequena devastação e, em vez de ir até a Terra Santa, tomou de assalto a perfeitamente cristã Constantinopla, conquistada por meio de saques e do massacre da população. No final das contas, quem ganhou com as Cruzadas, com certeza, não foram os soldados e seus capitães, e sim os mercadores das Repúblicas Marítimas italianas e a Igreja de Roma.

A volta das Cruzadas também foi uma aventura trágica. Os cruzados muitas vezes tinham que entregar aos transportadores todo o fruto de seus saques e roubos.

Sabe-se, também, que os cruzados, até pela forma como eram recrutados, não eram brilhantes em termos de disciplina e organização. Seus acampamentos eram erguidos sem nenhum cuidado estrutural. Em poucas palavras, eles não tinham áreas de higiene, não existiam enfermarias nem médicos organizados, e a cada chuva as barracas eram inevitavelmente carregadas pelas águas misturadas à urina e ao estéreo. Resumindo: Deus não estava com eles e os castigou matando vários de cólera, infecção gastrointestinal e doenças venéreas locais e exóticas. A propósito, não podemos esquecer a grande quantidade de prostitutas que seguiam o exército. A isso acrescentemos o fato de que os cruzados não costumavam tomar mais do que dois banhos por ano e muitos fizeram a promessa de não tomar banho até a libertação do Santo Sepulcro.

Ignorando as leis alimentares dos povos que já viviam há anos naquele clima, enchiam-se de carnes de porco assada ou salgada e se embebedavam da manhã até a noite. O resultado foi que, às epidemias normais em voga, acrescentaram-se outras ainda mais devastadoras. Além disso, como já lembramos, os pobres coitados eram tratados por médicos e cirurgiões cuja ignorância só se igualava a seu fanatismo. O resultado era que ser ferido em batalha ou contrair uma doença grave garantia, depois do tratamento médico, a certeza da morte inevitável.

Sobre esse assunto, transcrevemos o comentário de um médico oriental cristão durante a consulta de um cavaleiro ferido e de uma mulher doente:

...Apresentaram-me um cavaleiro que tinha um abscesso em uma perna e uma dona aflita pelo definhamento. Fiz um emplastro no cavaleiro, e o abscesso abriu e melhorou; prescrevi uma dieta para a mulher, com pouco tempero. Quando eis que chegou um médico franco, que disse: "Esse aí não sabe curar ninguém". E, dirigindo-se ao cavaleiro, perguntou: "O que prefere, viver com uma só perna ou morrer com duas pernas?" Tendo este respondido que preferia viver com uma só perna, ordenou: "Tragam-me um cavaleiro corajoso e um machado afiado". Chegaram o cavaleiro e o machado, e eu estava ali presente. O médico colocou a perna sobre um pedaço de madeira e disse ao cavaleiro: "Desça-lhe uma machadada, para cortar de pronto!" E, diante de meus olhos, deu a primeira machadada e, não conseguindo arrancar a perna, deu a segunda; a medula da perna jorrou e o paciente morreu na hora. Após examinar a mulher, ele disse: "Essa aí tem o demônio na cabeça, apaixonado por ela. Cortem-lhe os cabelos". Foram cortados, e ela voltou a comer o alimento deles, com alho e mostarda, e o definhamento aumentou. "O diabo entrou na cabeça dela", sentenciou ele, e pegou a navalha e abriu a cabeça dela em forma de cruz, extirpando o cérebro até aparecer o osso da cabeça, no qual esfregou sal... e a mulher morreu na mesma hora. Naquele momento, perguntei: "Ainda precisam de mim?" Responderam que não e fui embora, depois de aprender o que ignorava da medicina deles.

Acrescente-se a isso o fato de que muitos cruzados eram aventureiros dispostos a entregar armas e provisões ao inimigo em troca de dinheiro, a vender a mulher para pagar dívidas de jogo, a trucidar companheiros para derrubá-los. Muitos foram obrigados a partir para a Palestina, mais do que por um rompante de fé, pela lâmina que pendia sobre suas cabeças junto com uma sentença de enforcamento.

E as suas não eram cabeças quaisquer. Muitas vezes, tratava-se de nobres falidos e ambiciosos que tinham como único objetivo a riqueza pessoal e que não se detinham diante a nenhuma torpeza desde que concretizassem seus intentos. Viram-se batalhas entre exércitos de cruzados rivais pela posse de uma cidade, alianças entre príncipes cristãos e emires turcos. Muitos nobres cruzados permitiram que seus companheiros de armas fossem trucidados sem levantar um dedo, por questões de rivalidade.

O modelo das cruzadas tinha feito escola. E, assim, quando o papa Inocêncio III decidiu deter a heresia catara e valdense, decretou em 1209 uma verdadeira cruzada no sul da França, que duraram vinte anos e massacrou dezenas de milhares de pessoas. Os cátaros eram culpados de propagar uma vida comunitária pacífica e solidária, respeitando os ensinamentos de Jesus e recusando-se a reconhecer "o poder por vontade de Deus" da Igreja. O pontificado de Inocêncio III marca também o auge do poder temporal do papado. O papa passava a ser um soberano para todos os efeitos, e o Estado da Igreja torna-se uma verdadeira potência europeia. Como todos os soberanos, o bispo de Roma possuía territórios e exércitos, declarava guerra e realizava alianças. Vários reinos se reconheciam como vassalos da Santa Sé e pagavam conspícuos tributos a Roma.

Além disso, o papa utilizava o próprio poder espiritual para orientar a política dos Estados a ele alinhados. Se um rei era excomungado, perdia automaticamente o direito de cobrar obediência dos súditos e vassalos. Pode-se concluir, assim, que os soberanos cristãos pensavam duas vezes antes de pisar no pé da Santa Sé. Em suma, o papado acolheu por completo a herança criminosa do Império Romano. Houve até um papa, Júlio II, que encomendou uma armadura para conduzir seus próprios exércitos nas batalhas.

Texto extraído do livro: O livro negro do cristianismo - Dois mil anos de crimes em nome de Deus - Jacopo Fo, Sérgio Tomat, Laura Malucelli

terça-feira, 4 de junho de 2013

A IGREJA ESCRAVISTA

Chegando a este ponto, a Igreja, faminta por expansão, passou a dedicar-se às conquistas coloniais. São os sacerdotes os primeiros colonizadores da África negra. Encontramos padres, ao lado dos conquistadores espanhóis, que massacraram os índios da América. Foram os padres que organizaram o comércio de escravos.

Na verdade, foi o próprio Estado da Igreja que ordenou, em 1344, a conquista das Ilhas Canárias. E, provavelmente, foi o bispo De Las Casas, após a conquista da América, que sugeriu que os indígenas, que não suportavam o trabalho massacrante e as doenças levadas pelos colonos, fossem substituídos por africanos. Assim, desde o início de 1500, os missionários da África começaram a organizar a exportação de escravos para a América, equipando os navios "missionários" para tal fim. Fala-se de dezenas de milhões de ameríndios mortos em batalha ou aprisionados, exterminados por doenças e pelo cansaço. O desastre foi tamanho que se calcula que, só no México, a população tenha passado de 25 milhões de índios, em 1520, a menos de um milhão e meio em 1595.

Calcular o massacre ocorrido com o comércio de escravos é impensável. Fala-se de pelo menos vinte milhões de pessoas levadas para a América. A expectativa de vida delas, a partir do momento do desembarque, era de sete anos. Mas, para cada negro que chegava à América como escravo, nove prisioneiros morriam durante a captura, a viagem até o porto de embarque ou a travessia.' Portanto, pode-se falar em 190 milhões de mortos. Mas a conta é bem mais dramática: as contínuas incursões dos escravistas por quase trezentos anos destruíram a economia de vastas áreas da África, privando populações inteiras de sua melhor mão-de-obra, o que fez milhões de pessoas morrerem de fome, epidemias e exaustão. Era possível percorrer centenas de quilômetros em meio às ruínas do que um dia foram civilizações brilhantes e culturalmente evoluídas e não encontrar um único sobrevivente, apenas ossos que brilhavam sob o sol.

O horror do colonialismo teve nos missionários seus mais ferozes defensores. Estes se dedicaram a extirpar as religiões tradicionais dos povos subjugados com a violência e a tortura. Chegaram até a impedir que as crianças falassem sua língua-mãe, punindo-as com castigos corporais.

E para entender como os padres brancos podiam ser desumanos, basta lembrar que muitas vezes eram enviados às missões sacerdotes manchados por crimes graves e que eram considerados indignos para realizar seu ofício na Europa. Eles abençoaram todas as formas mais infames de apartheid. Em muitos países da África, por exemplo, os negros eram proibidos de comercializar com os brancos ou de cultivar hortaliças ou cereais nas áreas em que a monocultura dos latifundiários brancos era obrigatória. Plantar abóboras custava uma das mãos na primeira vez, um pé na segunda e, na terceira, a cabeça. A razão de tanta brutalidade era simples: assim, os nativos eram obrigados a se dedicar à monocultura e a vender seu produto aos patrões brancos em troca de comida. Então, se quisessem sobreviver, teriam de vender aos brancos sem poder discutir o preço. Ou aceitavam ou morriam. E se analisarmos as condições em que muitos países do Terceiro Mundo se encontram hoje, não poderemos deixar de ver, na miséria e na violência atuais, a marca de séculos de exploração. Na escola, não aprendemos nada sobre o colonialismo e o papel da Igreja nele.

Os ingleses, por exemplo, especializaram-se no tráfico de drogas, vendendo enormes quantidades de ópio à China. Por três vezes, o imperador chinês proibiu este comércio e, por três vezes, canhoneiros ingleses bombardearam os portos chineses para impor sua liberdade de vender droga. Foram as famosas Guerras do Ópio: em 1848, em 1856 e em 1858. E tenham certeza de que o chumbo dos canhões era abençoado.

Finalmente, não podemos nos calar a respeito do papel que a Igreja teve ao apoiar o nazismo, o fascismo, o extermínio dos judeus, os massacres da Guerra Espanhola, e do suporte dado por boa parte do clero cristão a todas as mais infames ditaduras do planeta. Sacerdotes católicos abençoaram os torturadores e os esquadrões da morte no Chile, na Grécia, no Brasil, no Peru, na Bolívia, na Argentina, na Indonésia. E mesmo o papa Woityla mandou cartas demonstrando apreço e bênçãos a ditadores sanguinários como Pinochet (que conheceu pessoalmente durante uma de suas várias viagens).

Texto extraído do livro: O livro Negro do Cristianismo - Dois mil anos de crimes em nome de Deus - Jacopo Fo, Sérgio Tomat, Laura Malucelli